Polícia impede vigília pelo Massacre Praça da Paz Celestial

Agentes pararam e revistaram quem se aproximava do local | Foto: Isaac Lawrence/AFP

Palco da repressão violenta do Exército chinês contra uma manifestação de estudantes pró-democracia realizada em 4 de junho de 1989, o Parque Victoria de Hong Kong amanheceu vazio nesta sexta-feira. Os acessos ao local foram bloqueados pela polícia, que impediu o encontro dos manifestantes e a vigília à luz de velas, organizada todos os anos ao anoitecer.


Nesta data, em 1989, centenas de pessoas foram mortas e outras tantas ficaram feridas na Praça da Paz Celestial, no centro de Pequim, mas nunca se soube com certeza o número real de vítimas.

Cerca de 7 mil policiais foram mobilizados para dissuadir os habitantes de Hong Kong de tentarem comparecer à vigília nesta sexta-feira. Foram instalados três cordões policiais no entorno do parque, nos quais os agentes pararam e revistaram quem se aproximava do local. Por meio de alto-falantes, os pedestres nas ruas ao redor foram instados a se dispersar.

Como no ano passado, as autoridades alegaram que a vigília foi proibida devido à pandemia do coronavírus, apesar de a cidade não registrar casos de transmissão local há mais de um mês. Apesar disso, alguns moradores disseram que ainda planejavam visitar o parque para prestar homenagem aos que morreram.

Celebrando o acontecimento

Às 20h, em vários bairros da cidade, algumas pessoas também acenderam as luzes, nas ruas ou nas janelas, usando velas ou lanternas de seus celulares, confirmaram jornalistas da AFP. Outros participaram de serviços religiosos em várias igrejas que abriram para o aniversário.

“Não sou católica e em geral não venho à igreja, mas queria estar aqui nesta ocasião, acho importante comemorar o acontecimento”, disse à AFP uma jovem que se identificou como Beth.

A advogada Chow Hang-tun, vice-presidente da Aliança de Hong Kong, grupo que organiza a vigília, foi detida por quatro policiais na manhã desta sexta-feira, em frente ao seu escritório, no centro da cidade. Até então, Chow, de 37 anos, era uma das poucas figuras do movimento pró-democracia da cidade que não havia sido detida nem optado pelo exílio.

A polícia confirmou que duas pessoas, Chow e um homem de 20 anos, foram presas sob suspeita de promover uma reunião ilegal nas redes sociais. “O regime quer nos ensinar que a resistência é inútil, mas vamos contraeducá-los”, disse a advogada mais tarde em um comunicado assinado com outros ativistas, Raphael Wong e Tsui Hon-kwong.

Restrição de liberdades 

Este o primeiro 4 de junho desde que Pequim impôs, no ano passado, uma Lei de Segurança Nacional que dá ao governo chinês amplos poderes para reprimir opositores no território semiautônomo, restringindo liberdades concedidas há 23 anos como parte do tratado de devolução da então colônia britânica à China.

Mais de cem ativistas e políticos acusados de sedição e conluio com forças estrangeiras já foram detidos sob a Lei de Segurança Nacional e podem ser condenados à prisão perpétua. A maioria teve sua fiança negada e continua sob custódia da polícia.