Plínio Valério alerta para exploração de terras-raras no Amazonas e volta a criticar venda da mina de Pitinga

 


_Senador afirma que recursos minerais estratégicos precisam de maior proteção e volta a questionar negociação envolvendo venda de empreendimento localizado em Presidente Figueiredo ao governo chinês_

O senador Plínio Valério (PSDB-AM) voltou a alertar, nesta terça-feira (1º), para a necessidade de o Brasil proteger seus recursos minerais estratégicos, especialmente as reservas de terras-raras existentes no Amazonas. Em pronunciamento no Senado Federal, o parlamentar criticou a venda da mina de Pitinga, localizada no município de Presidente Figueiredo, para o governo chinês e classificou a negociação como um “crime lesa-pátria”.

“A gente precisa, imediatamente, tratar nossos recursos minerais com mais cuidado. No momento, só se fala em terras-raras”, afirmou. Plínio Valério lembrou que questionou judicialmente a negociação envolvendo a mina e ressaltou a importância estratégica dos minerais existentes na região.

Tradicionalmente conhecida pela produção de cassiterita, Pitinga também possui ocorrências de outros minerais de interesse econômico e estratégico.
“Os chineses compraram uma mina no estado do Amazonas que tem montanhas de rejeitos de urânio e terras-raras. E os chineses detêm tecnologia para trabalhar essas terras-raras e para aproveitar o rejeito de urânio”, declarou.

Durante o pronunciamento, o senador também questionou os procedimentos adotados para a transferência do empreendimento e defendeu uma atuação mais rigorosa do poder público e do Congresso Nacional diante de operações envolvendo áreas de grande potencial mineral.

Segundo Plínio Valério, permitir que recursos estratégicos sejam explorados sem que o país estabeleça mecanismos adequados de proteção pode comprometer a soberania nacional e impedir que essas riquezas sejam utilizadas para gerar desenvolvimento econômico e social para a própria população.

“Se o Brasil abrir mão, neste momento, de cuidar do que é nosso, nós vamos estar simplesmente repetindo aquele estado em que nós fomos colônia”, alertou.

*Riqueza mineral e pobreza*

Plínio Valério também relacionou a discussão sobre a exploração mineral às condições sociais enfrentadas pela população amazonense. Para o senador, as riquezas existentes no subsolo precisam contribuir efetivamente para o desenvolvimento do estado e para a melhoria da qualidade de vida de quem vive no Amazonas.

“Nós estamos sendo vítimas, no Amazonas, de um crime lesa-pátria, quando a empresa chinesa comprou a mina de Pitinga, que contém de tudo, de tudo e do bom. E a gente entrega de mão beijada”, criticou. “Eu estou falando de um estado que tem mais da metade da sua população vivendo abaixo da linha da pobreza”, afirmou.