Eleição sindical em Caapiranga é alvo de denúncias de favorecimento, exclusão de servidores e irregularidades; veja documentos

O processo eleitoral do Sindicato dos Servidores Públicos do município de Caapiranga ganhou novos desdobramentos e passou a ser alvo de denúncias ainda mais graves por parte dos servidores.


Segundo relatos, o candidato derrotado nas eleições municipais para a prefeitura, Francimar Ramalho, conhecido como “Bá”, obteve uma liminar na Justiça que o colocou interinamente à frente do sindicato, com a missão de organizar uma nova eleição. No entanto, a decisão rapidamente passou a gerar polêmica.

De acordo com denúncias, logo após assumir a função, ele teria nomeado o próprio cunhado, Alessandro Andrade, como representante da Comissão Eleitoral (conforme anexo abaixo). A medida, segundo os servidores, teria sido tomada “no calar da noite”, sem qualquer publicação oficial ou divulgação em meios de comunicação.

Outro ponto que chamou atenção foi a suposta alteração do estatuto do sindicato de forma repentina, sem o conhecimento ou participação dos mais de 600 servidores efetivos do município. O documento, conforme os denunciantes, sequer teria sido registrado em cartório.

O aspecto mais controverso, no entanto, envolve a lista de votação. Conforme os relatos, apenas 20 pessoas foram autorizadas a votar na eleição, número considerado extremamente baixo diante do total de servidores. Ainda segundo os denunciantes, a lista seria composta, em sua maioria, por familiares e pessoas próximas a Francimar Ramalho, como Laodiceia Matos (esposa), Nelson Matos (sogro), Mara Matos (cunhada), Alessandro Andrade (cunhado), José Antonio Ferreira (tio), Marlucia Costa (tia) e Shirley Matos (cunhada e servidora da SES/AM), o que levanta suspeitas de favorecimento.

No dia da votação, diversos servidores efetivos afirmam que compareceram ao local, que funcionava na parte inferior da residência de um dos integrantes da chapa, mas foram impedidos de votar por não constarem na lista.

A ausência da Comissão Eleitoral também foi questionada. Segundo os relatos, apenas duas mesárias e o advogado do sindicato estavam presentes no local. Ao ser questionado, o advogado teria orientado os servidores a procurarem a Justiça.

A equipe de reportagem entrou em contato com Francimar Ramalho. Em nota, ele respondeu às acusações relacionadas às faltas no trabalho, afirmando que estava de licença e que a Constituição permite que o servidor à frente do sindicato fique à disposição da entidade.

“Eu estava de licença, porque a Constituição me permite ficar à frente do sindicato. Mesmo assim, registraram faltas contra mim, mas, conforme os documentos, eu estava respaldado dentro da lei. Já entrei com processo para que publiquem minha licença no Diário Oficial e também para buscar na Justiça o pagamento das faltas e das férias que não foram quitadas”, disse Francimar.

Em relação ao estatuto, Francimar alegou que o sindicato estava abandonado há 13 anos. “Eu, como administrador provisório, tinha poderes para alterar o estatuto, convocando novas assembleias e promovendo as mudanças necessárias. Sobre o impedimento dos servidores no dia da eleição, só poderia votar quem estivesse sindicalizado. Tive um prazo de 90 dias, e apenas 20 servidores me procuraram para se sindicalizar”, afirmou Ramalho.

Os servidores seguem pedindo a realização de uma nova eleição no município. Já Francimar sustenta que o processo ocorreu dentro da legalidade.

“Quem vai determinar se pode haver uma nova eleição será a Justiça do Trabalho. Se eles estão se sentindo prejudicados, podem entrar na Justiça e fazer a solicitação”, finalizou.

Servidores pedem uma nova eleição

Diante das denúncias, os servidores cobram a anulação do processo eleitoral e a realização de uma nova eleição, com transparência, ampla participação e respeito aos princípios democráticos.

“Um servidor que, desde novembro de 2025, não comparece à secretaria, com inúmeras faltas, não pode conduzir esse processo. Precisamos de uma nova eleição, com democracia e transparência”, afirmou um servidor.