
O deputado federal e pré-candidato ao Senado, Capitão Alberto Neto levou invertida de um agente do Ibama, durante uma ação de fiscalização ambiental realizada na Vila de Matupi, distrito de Manicoré, no interior do Amazonas. Vídeo divulgado nas redes sociais mostra o parlamentar sendo confrontado com argumentos contundentes enquanto acompanhava moradores insatisfeitos com a operação.
A ação do Ibama ocorreu após denúncias de exploração ilegal de madeira dentro da terra indígena Tenharim-Marmelos. A operação incluiu apreensão e destruição de equipamentos, prática prevista em lei para coibir crimes ambientais.
O episódio acontece dias depois de uma escalada de violência na região, incluindo o ataque a agentes federais e a destruição de uma viatura do órgão, o que reforça o ambiente de tensão no local.
Durante a gravação, o agente do Ibama contesta diretamente a versão apresentada por moradores e pelo deputado. Ele esclarece que a operação teve alvo específico e não atingiu a população em geral. Ao longo do diálogo, o agente também desmonta a ideia de que o Ibama seria responsável por prejuízos diretos à comunidade, indicando que há uma distorção dos fatos sendo disseminada.
Outro ponto central do confronto foi a discussão sobre a falta de água na comunidade. O deputado e moradores tentaram associar o problema à atuação do Ibama, mas o agente foi enfático ao rejeitar essa interpretação.
“Não é responsabilidade do Ibama dar água para ninguém”, afirmou. Em seguida, completou: “Se a população está sem água, é porque o poder público não está cumprindo seu papel”.
A declaração evidencia uma inversão de responsabilidades no discurso apresentado durante o ato, deslocando a cobrança para onde, segundo o agente, ela deveria estar: a gestão pública local.
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Dependência de estruturas ilegais
O agente também chamou atenção para um problema estrutural da região: a dependência de atividades ilegais para garantir serviços básicos.
“Um distrito que depende de madeireiro para ter água e estrada não pode jogar essa responsabilidade no Ibama”, afirmou. “Você sabe que política pública não se faz de um dia para o outro”, respondeu o deputado.
“Agora vocês vem para cá e colocam essa responsabilidade para cima do Ibama, de que as pessoas estão sofrendo por cauda do Ibama mas as pessoas estão sofrendo porque os políticos não fazem seu trabalho”, retrucou o agente.
Ao ser questionado sobre a destruição de equipamentos, o agente reiterou que a medida segue critérios legais e é aplicada em casos de crime comprovado. “Nós somos obrigados a seguir a lei”, pontuou, destacando que a atuação do Ibama não é arbitrária, mas baseada em normas ambientais vigentes.
Fonte: AM POST.