Amazonas tem potencial para transformar a mineração em nova frente de desenvolvimento econômico

O Amazonas abriga um dos maiores patrimônios minerais do país e concentra, em Autazes, na Região Metropolitana de Manaus (RMM), a maior jazida brasileira de potássio e uma das mais importantes do mundo.


Na avaliação do engenheiro civil e ex-secretário de Estado de Desenvolvimento Urbano e Metropolitano (Sedurb) e da Unidade Gestora de Projetos Especiais (UGPE), Marcellus Campêlo, a mineração pode se consolidar como uma importante alternativa para ampliar a base econômica do Amazonas, desde que seja conduzida com planejamento de longo prazo e responsabilidade socioambiental.

Com mais de sete anos à frente da Sedurb e da UGPE, coordenando projetos essenciais de desenvolvimento urbano e regional, Campêlo acompanha de perto os desafios e as oportunidades para diversificar a economia do estado.

Para ele, o desafio é transformar o potencial mineral amazonense em oportunidades de desenvolvimento, conciliando crescimento econômico, preservação ambiental e respeito às comunidades indígenas e ribeirinhas que vivem nessas áreas. “O fortalecimento do setor depende de políticas públicas permanentes, capazes de garantir segurança jurídica aos investimentos, sem abrir mão dos critérios ambientais e dos direitos das populações locais”, ressalta.

Entre as medidas defendidas por Campêlo estão investimentos em estudos geológicos para ampliar o conhecimento sobre o potencial mineral amazonense, recursos destinados às universidades e centros de pesquisa, incentivo à inovação e formação de mão de obra especializada para atender às demandas do setor. O ex-secretário também considera fundamental a criação de centros de qualificação profissional nos municípios mineradores, preparando jovens e trabalhadores para as oportunidades geradas pelos novos empreendimentos.

Outra prioridade apontada por ele é o fortalecimento do combate ao garimpo ilegal, com investimentos em tecnologia de monitoramento e ampliação da fiscalização ambiental. “Defendo também processos administrativos mais céleres para empreendimentos que cumpram a legislação, preservando os padrões de proteção ambiental”, frisa Campêlo.

» OUTRAS CADEIAS PRODUTIVAS

Além do potássio, o Amazonas possui reservas de ouro, com ocorrências em municípios como Apuí, Novo Aripuanã, Borba e Maués; de cassiterita, em Presidente Figueiredo e São Gabriel da Cachoeira; de nióbio, na região da Cabeça do Cachorro, em São Gabriel da Cachoeira; além de caulim e calcário, em Rio Preto da Eva, Presidente Figueiredo e Itacoatiara.

A mineração também pode impulsionar outras atividades econômicas ao estimular o empreendedorismo, fortalecer micro e pequenas empresas e ampliar a oferta de serviços nos municípios que abrigam as jazidas de minério. O objetivo é fazer com que os investimentos não se limitem à extração mineral, mas promovam o desenvolvimento de cadeias produtivas capazes de gerar emprego, renda e oportunidades de forma duradoura.

A necessidade de planejamento de longo prazo para que a mineração contribua para o desenvolvimento do Amazonas também é defendida pelo doutor em Desenvolvimento Socioambiental e em Economia, José Alberto da Costa Machado

“A exploração das riquezas minerais precisa estar inserida em um projeto de desenvolvimento de longo prazo para o estado, capaz de definir o papel da mineração ao lado da bioeconomia, da pesquisa e da inovação”, sugere.

Segundo o especialista, a segurança jurídica para os investimentos é um fator essencial, mas deve caminhar ao lado da proteção ambiental e do diálogo com as comunidades locais. O pesquisador afirma que o desafio é construir um modelo de desenvolvimento que incorpore, desde o início, as demandas sociais e ambientais. “Isso não será conseguido se os aspectos sociais e ambientais não forem considerados com igual relevância”, pondera.

FOTO: Caio de Biasi