Falta de transparência e ausência no trabalho: presidente do SINDSERV/CAAP é alvo de denúncias graves e revolta servidores em Caapiranga

Servidores públicos do município de Caapiranga intensificaram as denúncias contra a atual gestão interina do presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (SINDSERV/CAAP), presidido provisoriamente por Francimar Ramalho. As acusações envolvem falta de transparência, possíveis irregularidades administrativas e questionamentos sobre a condução do processo eleitoral da entidade.


De acordo com os relatos, Francimar não comparece ao seu local de trabalho na Prefeitura de Caapiranga desde novembro de 2025, quando solicitou uma licença para se dedicar às atividades sindicais. No entanto, servidores afirmam que, mesmo durante esse período, ele também não teria sido visto atuando no sindicato.

“Precisamos de esclarecimentos por parte do senhor Francimar. Ele não comparece ao trabalho há mais de 90 dias, realizou uma eleição no sindicato e colocou apenas familiares. Quando fomos votar, nossos nomes não constavam na lista, mas os nomes da família dele estavam todos lá, devidamente registrados. Queremos mais transparência e uma nova votação”, denunciou um servidor.

A situação ganha ainda mais repercussão diante do fato de que Francimar, que foi candidato derrotado nas eleições municipais, assumiu interinamente a presidência do sindicato por meio de uma decisão liminar da Justiça, com a responsabilidade de organizar um novo pleito. Desde então, a condução desse processo tem sido alvo de críticas e desconfiança por parte da categoria.

Outro ponto que levanta questionamentos é a formalização do pedido de afastamento. Embora o documento indique que a solicitação de licença foi feita em 7 de novembro de 2025, o protocolo junto à Secretaria Municipal de Administração só teria sido registrado em 4 de fevereiro, sob o número de processo 000210-28.2025.5.11.0201.

“Como um servidor pede licença de suas obrigações para se dedicar ao sindicato e não comparece sequer um dia? Ele estava recebendo normalmente da prefeitura desde novembro e, dois meses depois, ainda aparece com um protocolo. Além disso, monta uma chapa com a maioria de parentes. Isso é inadmissível”, afirmou outro servidor, que preferiu não se identificar.

As denúncias também apontam para uma possível alteração do estatuto do sindicato sem a participação dos mais de 600 servidores efetivos do município. Segundo os relatos, o documento não teria sido apresentado à categoria nem registrado em cartório, o que levanta dúvidas sobre sua validade.

Além disso, a composição da chapa sindical é alvo de fortes críticas. Conforme os denunciantes, a lista seria formada, em sua maioria, por familiares e pessoas próximas ao presidente, como sua esposa Laodiceia Matos, seu sogro Nelson Matos, a cunhada Mara Matos, o cunhado Alessandro Andrade, o tio José Antonio Ferreira, a tia Marlucia Costa e a cunhada Shirley Matos, servidora da SES/AM. A situação levanta suspeitas de favorecimento e possível conflito de interesses dentro da entidade.

Procurado pela reportagem, Francimar Ramalho se manifestou por meio de nota, negando irregularidades e afirmando que sua atuação está respaldada pela legislação.

“Eu estava de licença, porque a Constituição me permite ficar à frente do sindicato. Mesmo assim, registraram faltas contra mim, mas, conforme os documentos, eu estava respaldado dentro da lei. Já entrei com processo para que publiquem minha licença no Diário Oficial e também para buscar na Justiça o pagamento das faltas e das férias que não foram quitadas”, declarou.

Diante do cenário, servidores cobram mais transparência na gestão do sindicato, esclarecimentos formais sobre as denúncias e a realização de um novo processo eleitoral que garanta a participação ampla da categoria.

A reportagem reforça que o espaço permanece aberto para novos esclarecimentos por parte de Francimar Ramalho e demais envolvidos.